OSTEOPOROSE: PREVENIR DESDE CEDO

 

Sempre temos a tendência de associar reumatismo com envelhecimento, existe uma prevalência aumentada de determinadas patologias conforme aumentamos a idade, porém não é restrita à questão do envelhecimento. Muitos sintomas e doenças podemos prevenir de alguma forma.

Nesta edição darei ênfase em osteoporose, patologia que devemos pensar em “tratar” desde jovem. A osteoporose é uma doença sistêmica, silenciosa, caracterizada por uma baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. Isto significa que existe um aumento na fragilidade óssea e maior risco de fratura (quebrar um osso).

É uma doença que acontece mais em mulheres brancas acima de 50 anos, em torno de 40% dos casos, mas, que pode acometer outros grupos como em 13% dos homens nesta faixa etária. O custo mundial necessário para tratamento de fraturas causadas pela osteoporose é alto, com tendência a aumentar em decorrência do aumento da expectativa de vida do ser humano, porém este custo diminui quando atuamos na prevenção.

A fratura de quadril (fêmur proximal) é a de maior gravidade pois está associada à alta mortalidade e morbidade (causas que podem gerar outras doenças e complicações). A sobrevida após 5 anos deste tipo de evento está em torno de 80% do esperado para idade, ou seja, menor que o esperado para idade e a maioria ocorre nos primeiros 6 meses. Outros locais mais comuns da ocorrência de fraturas são a coluna (vértebras) e antebraço (rádio distal).

A fratura vertebral é a manifestação clínica mais comum, pode ser assintomática, evolui com cifose e redução da altura. A dor quando presente pode ser leve ou intensa, sentida apenas no local fraturado ou ter dor irradiada. Elas causam limitação de movimento e impactam as atividades de vida diária como se vestir, sair de casa, levando depressão, ansiedade e redução do bem-estar.

É uma doença assintomática, de evolução silenciosa, cujas manifestações clínicas surgem na ocasião da fratura. Na história clínica deve ser avaliado fatores de risco, achados sugestivos de causas secundárias (doenças e/ou medicamentos que propiciam perda de massa óssea). Nos idosos devem ser sempre considerados sinais de risco aumentado de quedas, como dificuldade de equilíbrio ou na marcha, seja por doenças, medicamentos ou sedentarismo, hipotensão ortostática, diminuição da acuidade visual ou auditiva e comprometimento cognitivo.

O diagnóstico é feito pela densitometria óssea ou na presença de fraturas nas áreas típicas, nestes casos já determinam que a osteoporose é mais avançada e o diagnóstico tardio. O tratamento de osteoporose consiste em duas situações:

– Não farmacológicas: redução dos fatores de risco modificáveis, programa de exercício físico, alimentação e prevenção de quedas. Neste item chamo atenção para níveis adequados de vitamina D sérica.

– Farmacológicos: as medicações são utilizadas tanto na prevenção quanto no tratamento da osteoporose, a prescrição deve ser individualizada, a via da administração dos medicamentos varia assim como o intervalo (diário, semanal, semestral ou anual) a ser usado: via oral (ex: bisfosfonatos), venoso (ácido zolendrônico) ou subcutâneo (denosumab, teriparatida).

Desde a infância podemos estimular um maior aproveitamento do metabolismo ósseo, melhorando a captação de cálcio alimentar, exposição solar adequada para produção de vitamina D, estimulando atividade física, ensinando as crianças desde cedo os efeitos nocivos do sedentarismo assim como as vantagens de criar hábitos saudáveis.

Para qualquer momento do diagnóstico existe uma orientação para prevenção e tratamento. O essencial é ter a informação sobre o assunto e aderir às modificações individuais necessária. Prevenção é o melhor caminho.

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