Psoríase: respeito também deve ser sentido na pele

A psoríase trata-se de uma doença sistêmica e que vai muito além da pele. Ë complexa e com repercussões variadas na qualidade de vida do paciente. A falta de informação muitas vezes leva ao preconceito e sofrimento.

Na verdade, pode-se falar em Doença Psoriásica, uma condição inflamatória, crônica e recorrente, que atinge pele, mucosas, unhas e articulações, podendo ser acompanhada de Síndrome metabólica (explicarei a seguir), ansiedade e depressão. As lesões de pele são caracterizadas por vermelhidão, descamação, são bem delimitadas, por vezes pruriginosas, localizada mais comumente em tronco, nádegas, couro cabeludo e regiões articulares dos membros (como cotovelos e joelhos). A doença é mais comum na raça branca, em geral os sintomas se iniciam após os 20 anos de idade.

Quando há envolvimento articular denominado-se Artrite Psoriásica. No Brasil estima-se a prevalência de 1,33 % da população geral, sendo que deste número, 10 a 30 % terão envolvimento articular, em geral os sintomas articulares aparecem após um tempo médio de 10 anos de doença cutânea.

As manifestações musculoesqueléticas são muito variáveis, o sintoma mais frequente é a artrite (inflamação) em mãos, punhos, joelhos, coluna com um grande potencial de destruição articular.

A síndrome metabólica é caracterizada por um conjunto de problemas no metabolismo que resulta em obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e diabete melitus. Todas estas alterações associadas aumentam fatores de risco para doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, AVC), aumentando a capacidade de adoecimento das pessoas e a mortalidade.

O principal diagnóstico diferencial da Artrite Psoriásica é a Artrite Reumatóide e as Espondiloartrites como a espondilite anquilosante.

O tratamento varia conforme o tipo de acometimento, gravidade e resposta individual do paciente. Existe uma variedade de tratamentos disponíveis tanto orais, venosos ou subcutâneos (os imunobiológicos). A modificação dos fatores de risco e a supressão da inflamação diminuem a frequência e a gravidade dos eventos cardiovasculares.

Por se tratar de uma doença complexa, o acompanhamento deve ser multidisciplinar, o esclarecimento sobre a doença, suas consequências se não tratadas vai muito além das lesões de pele ou de estética.

IMPORTANTE RESSALTAR

– Não é uma doença contagiosa;

-O tratamento da artrite diminui os danos, sequelas e limitações da função articular ;

– O controle da Síndrome Metabólica diminuem risco de doenças cardio vasculares;

– Os sintomas articulares aparecem em média 10 anos após o inícios das lesões cutâneas;

– Deve ser acompanhada de forma multidisciplinar (mais de um médico) devido a complexidade da doença e sua variadas manifestações sistêmicas.

 

Cláudia Costa é médica especialista em Reumatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), além de pós graduada em Acupuntura e Reumatologista do Ministério da Defesa.

 

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